No dia 7 de Abril de 1024,
Vasco da Gama da gama redigia uma carta abrindo mão de participar da liga
AMEA (
Associação Metropolitana de Esportes Athleticos), que tinha regras e estatutos racistas. Essa atitude do
Vasco ficou eternizado como
"Resposta Histórica".
Em 1915 o Vasco adotou a prática do futebol. Os dirigentes vascaínos tinham como objetivo tornar o clube tão vitorioso quanto era no remo, que na década de 1920 foi o clube mais vitorioso no esporte náutico da então capital do país (Rio de Janeiro). E assim como no remo, o clube iria defender os excluídos da sociedade. Oito anos mais tarde, em 1923, o Vasco conquistou o seu primeiro Campeonato Carioca com um elenco cheio de jogadores das camadas populares (negros e brancos de baixa condição social). Os lendários Camisas Negras realizaram uma campanha quase perfeita, com 11 vitórias, 2 empates e apenas 1 derrota. Isso abalou a estrutura do racismo e do preconceito no futebol brasileiro. Nos anos de 1906 a 1922 nunca houve jogadores das camadas populares nas equipes que conquistaram o campeonato de futebol da cidade do Rio de Janeiro. Essa conquista foi um marco e ajudou na evolução do futebol no Brasil.
A conquista vascaína revoltou o pessoal que comandava o futebol na Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT) e ocasionou uma cisão nos primeiros meses de 1024. em resposta a ousadia do Vasco em formar uma equipe que representava a diversidade do povo brasileiro. Dessa cisão nasceu a Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (AMEA). Assim, o Campeonato Carioca seria organizado por uma nova liga que tinha regras e estatutos racistas e preconceituosos que visavam excluir negros e pobres do futebol. Os clubes não poderiam inscrever jogadores sem profissões definidas e analfabetos. O Vasco foi convidado a participar da entidade mas com algumas exigências. O clube teria que excluir 12 jogadores de suas equipes, 7 do primeiro quadro e 5 do segundo quadro pois os jogadores estavam em desacordo com os "padrões morais" necessários para a prática do futebol.
Em resposta a essas exigências absurdas, marcadas por racismo e preconceito social, o então presidente do Vasco, José Augusto Prestes, emitiu um ofício comunicando que o clube não faria parte da liga por não aceitar a exclusão dos seus atletas.
"Rio de Janeiro, 7 de abril de 1924
Ofício no. 261
Exmo. Sr. Arnaldo Guinle, M.D. presidente da Associação Metropolitana de Esportes Athleticos.
As resoluções divulgadas hoje pela imprensa, tomadas em reunião de ontem pelos altos poderes da Associação a que V. Exa. tão dignamente preside, colocam o Club de Regatas Vasco da Gama em tal situação de inferioridade que absolutamente não pode ser justificada nem pela deficiência do nosso campo, nem pela simplicidade da nossa sede, nem pela condição modesta de grande número dos nossos associados.
Os privilégios concedidos aos cinco clubes fundadores da AMEA e a forma como será exercido o direito de discussão e voto, e as futuras classificações, obriga-nos a lavrar o nosso protesto contra as citadas resoluções.
Quanto a condição de eliminarmos doze (12) jogadores das nossas equipes, resolve por unanimidade a diretoria do Club de Regatas Vasco da Gama, não a dever aceitar, por não se conformar com o processo por que foi feita a investigação das posições sociais desses nossos con-sócios, investigações levadas a um tribunal onde não tiveram nem representação nem defesa.
Estamos certos que V. Exa. será o primeiro a reconhecer que seria um ato pouco digno da nossa parte sacrificar ao desejo de filiar-se a AMEA alguns dos que lutaram para que tivéssemos entre outras vitórias a do Campeonato de Futebol da Cidade do Rio de Janeiro de 1923.
São esses doze jogadores jovens quase todos brasileiros no começo de sua carreira, e o ato público que os pode macular nunca será praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa que os acolheu nem sob o pavilhão que eles com tanta galhardia cobriram de glórias.
Nestes termos, sentimos ter de comunicar a V. Exa. que desistimos de fazer parte da AMEA.
Queira V. Exa. aceitar os protestos de consideração e estima de quem tem a honra de se subscrever de V. Exa. Att. Obrigado.
Dr. José Augusto Prestes
Presidente"
Esse ato vascaíno foi primordial para a profissionalização do futebol brasileiro e sem essa ousadia provavelmente não teríamos ídolos e lendas negras no esporte como o rei Pelé, Garrincha, Djalma Santos, Didi, Jairzinho, Romário, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e tantos outros. Se parar para pensar, será que sem esses craques conquistaríamos 5 Copas do Mundo (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002)?
JÁ PENSOU TER UMA CAMISA NOVA DO VASCO PARA PODER TORCER PARA O GIGANTE DA COLINA? VOU TE DIZER, NO LINK ABAIXO VOCÊ ENCONTRA. É SÓ CLICAR.
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